terça-feira, 13 de setembro de 2016

Quais são os papeis no desenvolvimento da criança ?

Educar não é só o papel da escola, ela somente aperfeiçoa aquilo que a criança agrega por si em suas vivencias diárias de sua vida cotidiana o que lhe da um direcionamento, vindo da família um dos papeis principais da primeira formação.
vendo um comercial de uma agencia bancaria sobre o questionamento ha algumas crianças,
O que aprendeu com seus pais? As crianças responderam com suas sinceras palavras aprendi muitas coisas , e assim foram falando diversos exemplos do que aprenderam; Talvez na correria do dia á dia muitos pais não param para observar seus filhos e o que estão aprendendo. As crianças pequenas aprendem observando, imitando  o gestos do  adultos. tudo isso reflexo de um mundo cada vez mais globalizado onde a correia impera os pais deixam seus filhos nas escolas e buscam sem um certo comprometimento com a educação e a aprendizagem de seus filhos.

  • EDUCAÇÃO: acontece em todo lugar e não somente na escola .
  • EDUCAR: significa  formação de caráter, refinar sentimentos, sedimentar valores necessários ao convívio, 
  • ENSINAR: significa instruir, repassar conhecimento, isto é  que acontece na escola , na sala de aula,aonde o professor ensina uma disciplina como matemática , historia ,português e ETC... O ato de ensinar se dirige ao intelecto, enriquecendo-o com informações e conhecimentos. 
  • EDUCA -SE: em casa entre familiares, na rua entre os amigos ou desconhecidos, no ambiente de trabalho ou no lazer, em simples brincadeiras Solidariedade,amizade,compaixão, honestidade,responsabilidade são valores que é transmitido pela educação,não pelo ensino.O ato de educar acontece por exemplos, modelos de conduta, manifestações de empatia, controle e expressões de valores morais e éticos.as crianças e adolescentes podem aprender muitas coisa sem, entretanto, terem sido educados.

Cabe -se á escola :


  • Instruir : transmitir informações, cada vez mais precisas e atualizadas, de um mundo onde as mesmas estão em constantes mudanças se preparar as perguntas inquietantes,polemicas ou ainda contraditórias:
  • Organizar: ensinar aos alunos a importância dos valores aprendidos no seu dia-a dia na formação de sua identidade,comportamento ,círculo de amizades e repertório de toda a vida;
  • Disciplinar: Ensinar a importância da obediência, da hierarquia e do certo e errado, esclarecendo as possíveis contradições entre aquilo que é ensinado em casa e na escola.

Aos pais cabe -se:


  • Educar: ensinar valores como verdade, honra, respeito e etiqueta;
  • Valorizar:  mostrar aos filhos a importância que têm na sociedade e o valor da boa educação em seu próprio desenvolvimento;
  • Disciplinar : Ensinar valores de Ordem, a importância de horários, segurança e respeito.




Os Pais querem que as escolas eduquem seus filhos em seu lugar, mas ao mesmo tempo se incomodam quando seus filhos os questionem sobre atitudes que aprenderam na escola serem certas ou erradas.
As Escolas querem que os pais eduquem e ensinem tudo aos filhos, que esperam que cheguem em sala-de-aula como pequenas "esponjas de saber". Mas não dão atenção às diferenças entre eles, tratando igualmente aqueles que aprendem com mais facilidade e usando-os como modelo para aqueles com mais dificuldade.
Comparar é um grande erro no processo de educação. Uma coisa é o Modelo do que é certo, justo e "Bom". Outra é cobrar que uns sejam iguais aos outros.
Precisamos conversar com educadores, professores, diretores,coordenadores e pais, para que tenham claros os seus papéis, lidando da melhor maneira com filhos/alunos. Um aluno não pode ter no professor a imagem de um pai às avessas, que desdiz aquilo que é ensinado em casa; Como um Pai não pode ser o anti-professor, que só faz questionar, desvalorizar e desmerecer o esforço dos professores ao lidar com seus filhos.

Essa questão sera sempre questionada: Qual o real papel da escola?... Qual o real papel dos pais?... mas ambos são muitos necessários um para o outro mesmo tendo papeis diferenciados no desenvolvimento ainda mais em uma fase tão delicada e quando se começa os primeiros pequenos questionamentos. 




                                                                                                   Sandra C. Silva
 Ponto pedagógico


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Rudolf Steiner e antroposofia

Steiner, nascido austríaco, era a cabeça da sociedade alemão de Teosofia desde 1902 até 1912, quando se afastou e deu forma à sua sociedade de Antroposofia. Pode ter abandonado a sabedoria divina pela sabedoria humana, mas um dos seus motivos principais para deixar os teosofistas era que não tratavam Jesus ou o cristianismo como algo especial. Steiner não teve nenhum problema, contudo, em aceitar noções hindus como o carma e a reincarnação. Por volta de 1922 Steiner tinha estabelecido o que se chamou de comunidade cristã, com as suas liturgias e rituais para Antroposofistas. A sociedade de Antroposofistas e a comunidade cristã existem ainda, embora como entidades separadas.

Só quando Steiner atingia os quarenta e o século 19 estava prestes a terminar que se tornou profundamente interessado no oculto. Steiner tinha interesses na agricultura, na arquitetura, na arte, na química, no teatro, na literatura, na matemática, na medicina, na filosofia, na física e na religião, entre outros assuntos. A sua dissertação de doutoramento na Universidade de Rostock era sobre a teoria de Fichte sobre o conhecimento. Era autor de muitos livros, muitos com títulos como "A Filosofia da Atividade Espiritual" (1894), "Ciência Oculta: Um Esboço" (1913), "Investigações em Ocultismo" (1920) e "Como Conhecer Mundos Superiores". Foi atraído também pelas ideias misticas de Goethe e trabalhou como um editor de Goethe por diversos anos. E muito do que escreveu parece uma versão de Hegel. Pensou que Marx tinha errado, quem realmente conduz a história é o espiritual. Steiner fala mesmo da tensão entre a busca para a comunidade e a experiência do individualismo, que não são realmente contraditórios mas que representam as polaridades enraizadas na natureza humana

Os seus interesses eram amplos e muitos, mas pelo virar do século o seu interesse principal era literatura mistica, oculta e esotérica. Quando foi introduzido á teosofia encontrou um grupo de pessoas simpatizando com o tipo de opiniões ocultas e misticas para que era atraído, em especial a noção de uma consciência espiritual especial que fornecesse acesso direto a umas verdades espirituais mais elevadas.

Steiner pode ter-se afastado da Sociedade de Teosofia mas não abandonou o misticismo eclético dos teosofistas. Steiner pensou o seu Antroposofismo como "uma ciência espiritual". Convencido de que a realidade é essencialmente espiritual, quis treinar as pessoas a superar o mundo material e aprenderem a compreender o mundo espiritual pelo mais elevado, espiritual, eu. Ensinou que há um tipo da percepção espiritual que funciona independentemente do corpo e dos sentidos corporais. Aparentemente, era este sentido espiritual especial que lhe forneceu informações sobre o oculto.

De acordo com Steiner, os povos existiram na terra desde a criação do planeta. Os seres humanos, explicava, começaram como formas espirituais e progrediram através de vários estágios até alcançarem a forma de hoje. A humanidade, diz Steiner, está a viver atualmente o período de Post-Atlantis, que começou com o afundar gradual da Atlântida em 7227 BC... O período do Post-Atlantis é dividido em sete épocas, sendo a atual a época Europeia-Americana, que durará até ao ano 3573. Após esta, os seres humanos recuperarão os poderes de clarividência que possuíam alegadamente antes da época dos gregos antigos. [ Boston ]

Entretanto, a sua influência mais duradoura e significativa, tenha sido no campo da educação. Em 1913, em Dornach, perto de Basileia, Suiça, Steiner construiu o seu Goetheanum, uma "escola da ciência espiritual." Esta seria uma percursora das Escolas de Steiner ou de Waldorf. A designação de escolas de "Waldorf" vem da escola que pediram a Steiner para abrir para as crianças dos trabalhadores da fábrica de cigarros de Waldorf-Astoria em Estugarda, Alemanha, em 1919. O proprietário da fábrica tinha convidado Steiner para dar uma série de conferências aos seus trabalhadores e ficou aparentemente tão impressionado que pediu a Steiner para criar a escola. A primeira escola Waldorf nos E. U. A. abriu na cidade de New York em 1928. Hoje, os Steinerianos afirmam que existem mais de 600 escolas Waldorf em 32 países com aproximadamente 120.000 estudantes. Aproximadamente 125 escolas Waldorf operariam na América do Norte. Algumas destas escolas devem ser bastante grandes pois outras, como a de Davis, Califórnia, que não pode servir mais de cem ou duzentos alunos. Igual para Portugal: é indicada a Escola Primavera em Lagos. Ou isso, ou o numero de alunos está largamente exagerado. Há mesmo uma não-acreditada Rudolf Steiner College oferecendo graus em Estudos Antropozoicos ou em Educação Waldorf. De qualquer modo, a Igreja Católica não está em perigo. O seu sistema de escolas é incomparavelmente mais numeroso que o de escolas Waldorf.

Steiner desenhou o curriculum dessas escolas em volta de noções que aparentemente obteve de um guia espiritual sobre a natureza da Natureza e a natureza da Criança. Ele acreditava que somos constituídos por corpo, espirito e alma. Ele considera que as crianças passam por três estágios de sete anos cada e que a educação deve ser apropriada ao espirito em cada estágio. Do nascimento aos 7 anos é um período para o espirito se adaptar ao mundo material. Nesta fase, a criança aprende por imitação, diz ele (Aristóteles também, já agora). O conteúdo escolar é mantido num mínimo durante estes anos. Contam-lhes contos de fadas, mas só aprendem a ler no segundo estágio. Aprendem o alfabeto e a escrever no primeiro estágio.

De acordo com Steiner, o segundo estágio é caracterizado pela imaginação e fantasia. As crianças aprendem melhor dos 7 aos 14 pela aceitação e emulação da autoridade. A criança tem um único professor durante este período e a escola torna-se uma "família" com o professor como o "pai" autoritário.

O terceiro estágio, dos 14 aos 21, é quando o corpo astral entra no corpo fisico, causando a puberdade. Estas ideias antroposoficas não fazem parte dos curriculum das escolas Waldorf, mas aparentemente são acreditadas pelos que tem o curriculum a seu cargo. De acordo com a sua FAQ, "escolas Waldorf... tendem a ser espiritualmente orientadas e são baseadas numa perspectiva genericamente cristã.....a orientação espiritual é dirigida para o despertar da reverência natural da criança para a maravilha e beleza da vida.... é função do professor trazer todo o conjunto da criança para uma posição de equilíbrio."

Mesmo assim, devido a não ensinarem fundamentalismo cristão bíblico, as escolas Waldorf são atacadas por encorajarem o paganismo e mesmo o satanismo. Isto pode dever-se a enfatizarem as relações dos humanos com a Natureza e ritmos naturais. Uma escola elementar de Sacramento abandonou a sua escola Waldorf dentro da escola quando queixosos fundamentalistas vocais começaram a uivar sobre pagãos e diabos.

Algumas das ideias das escolas Waldorf não são de Steiner, mas tentam harmonizar as orientações espirituais do mestre. Por exemplo, ver televisão é desencorajado devido ao seu conteúdo tipico e porque desincentiva o crescimento da imaginação. É uma aproximação melhor que o V-chip. É difícil encontrar algum valor positivo para crianças na televisão. Quando as crianças são pequenas devem socializar, falar, ouvir, interagir com a natureza e as pessoas, não sentarem-se num estado catatônico em frente a um tubo catódico. Não sei o que os professores de Waldorf pensam dos jogos de vídeo, mas ficaria surpreendido se não os desencorajassem pelas mesmas razões da televisão.

As escolas Waldorf também desencorajam o uso de computadores por crianças pequenas. Também penso que isto é correto. Os benefícios do uso de computador por crianças ainda está por provar, apesar de ser geralmente aceite por educadores que gastam milhões em equipamento para alunos que muitas vezes mal sabem ler ou pensar criticamente, e tem o minimo de capacidades sociais e orais. As escolas Waldorf, por outro lado consideram essencial tecer, tocar um instrumento, gravar madeira, pintar, etc. Penso que para uma criança é mais benéfico que saber navegar na Internet à procura de informação sobre "tigres"

Uma das partes mais invulgares do curriculum é o que Steiner designa por "euritmia," uma arte do movimento que tenta tornar visível as formas internas e os gestos da linguagem e da musica. De acordo com a FAQ, "isto muitas vezes baralha os pais, [mas] as crianças respondem aos seus ritmos e exercícios simples que ajudam a reforçar e harmonizar o seu corpo e as suas forças de vida; mais tarde, os alunos mais velhos trabalham em elaborados representações eurítmicas de poesia, drama e musica, ganhando assim uma percepção mias profunda das composições e dos escritos. A euritmia reforça a coordenação e fortalece a capacidade de escutar. Quando a criança se experimenta como uma orquestra e tem de manter uma clara relação espacial com os outros, um reforço social ocorre." Isto parece uma mistura de dança interpretativa e ginástica.

Talvez a consequência mais interessante da visão de Steiner foi a sua tentativa de instruir os diminuídos físicos e mentais na base de que é o espirito que atinge o conhecimento e esse é o mesmo em todos nós.

Devo dizer que acho Steiner um homem decente e admirável. Ao contrário de outros gurus "espirituais", Steiner parece ter sido um homem moral que não tentou seduzir os seguidores e se manteve fiel à sua mulher. Não se pode por em questão os seus contributos em muitos campos, embora como filósofo, cientista e artista raramente se ergue da mediocridade e singularmente não original. E, claro, acho as suas ideias espirituais menos que credíveis e certamente não cientificas. Quanto ao ponto de vista sobre a educação os sentimentos são mistos. Penso que tem razão ao notar que existe um perigo no desenvolvimento da imaginação e compreensão dos jovens se as escolas ficam dependentes do governo. Os estados dão a enfase a curriculum que servem o Estado, isto é, economia e politicas sociais. A educação não é posta ao interesse da criança, mas das necessidades econômicas da sociedade. A competição que dirige a maior parte das escolas pode beneficiar a sociedade, mas não beneficia os indivíduos. Uma educação onde cooperação e amor, em vez de competição, marca o essencial da relação entre estudantes é muito mais benéfica para o bem estar intelectual, moral e criativo dos alunos.

Por outro lado, é pouco provável que algumas noções mais estranhas como corpo astral, Atlântida, etc, não passem na educação numa escola Waldorf, mesmo se essas teorias não fazem parte do curriculum para crianças. É tão difícil defender o amor e cooperação sem ter por base um mito cósmico? Porque temos de saltar para um lamaçal mistico para defender o mal feito a um individuo por uma vida passada a perseguir as possessões materiais com pouca preocupação com o dano causado a outros seres humanos ou ao planeta? Porque temos de nos queixar da falta de espiritualidade pelo mal à nossa volta? Podemos queixar-nos de espiritualidade a mais: as pessoas espirituais pensam tão pouco no mundo material que não fazem o suficiente para tornar este mundo melhor. Porque não podem as pessoas contar histórias, dançar, cantar, criar obras de arte e estudar química, biologia e física para aprender sobre o mundo natural, sem todo o processo ser ou um meio de garantir segurança material ou harmonizar a sua alma com uma espiritualidade cósmica? As crianças não devem ser sobrecarregadas nem com espiritualismo nem com materialismo. Devem ser amadas e ensinadas a amar. Devem crescer numa atmosfera de cooperação. Devem ser apresentadas ao melhor que temos a oferecer na natureza, arte e ciência de tal modo que não tenham de ligar tudo às almas ou ao emprego futuro. Infelizmente a maioria dos pais não defendem tal educação.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Tradicionalista

A linha tradicional de ensino teve a sua origem no século XVIII, a partir do Iluminismo. O objetivo principal era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. Possui um modelo firmado e certa resistência em aceitar inovações, e por isso foi considerada ultrapassada nas décadas de 60 e 70.
As escolas que adotam a linha tradicional acreditam que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados.
Não há lugar para o aluno atuar, agir ou reagir de forma individual. Não existem atividades práticas que permitem aos alunos inquirir, criar e construir. Geralmente, as aulas são expositivas, com muita teoria e exercícios sistematizados para a memorização.
O professor é o guia do processo educativo e exerce uma espécie de “poder”. Tem como função transmitir conhecimento e informações, mantendo certa distância dos alunos, que são “elementos passivos”, em sala de aula.
As avaliações são periódicas, por meio de provas, e medem a quantidade de informação que o aluno conseguiu absorver.
São escolas que preparam seus alunos para o vestibular desde o início do currículo escolar e enfatizam que não há como formar um aluno questionador sem uma base sólida, rígida e normativa de informação.


Fonte

Montessoriana

Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952), a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança.
O método parte da idéia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino.
Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar.
As escolas montessorianas incentivam seus alunos a desenvolver um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado e adquirir autoconfiança. As instituições levam em conta a personalidade de cada criança, enfatizando experiências e manuseios de materiais para obter a concentração individual e o aprendizado. Os alunos são expostos a trabalhos, jogos e atividades lúdicas, que os aproximem da ciência, da arte e da música.
A divisão das turmas segue um modelo diferente do convencional: as crianças de idades diferentes são agrupadas numa mesma turma. Nessas classes, alunos de 5 e 6 anos estudam na mesma sala e seguem um programa único. Posteriormente eles passam para as turmas de 7 e 8, em seguida para as de 9 e 10, e, finalmente alcançam o último estágio, que agrega jovens de 11,12,13 e 14 anos. Até os 10 anos, os alunos têm aulas com um único professor polivalente, enquanto nas salas de 11 a 14, esse professor ganha a companhia de docentes específicos para cada disciplina.
Os professores dessa linha de ensino são guias que removem obstáculos da aprendizagem, localizando e trabalhando as dificuldades de cada aluno. Sugerem e orientam as atividades, deixando que o próprio aluno se corrija, adquirindo assim maior autoconfiança.
A avaliação é realizada para todas as tarefas, portanto, não existem provas formais.

Waldorf ou Antroposofia

A Pedagogia Waldorf se baseia na Antroposofia (gr.: antropos = ser humano; sofia = sabedoria), ciência elaborada por Rudolf Steiner, que estuda o ser humano em seus três aspectos: o físico, a alma e o espírito, de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, o sentir e o querer.
Foi criada em 1919 na Alemanha e está presente no mundo inteiro. O ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes. O foco principal da Pedagogia Waldorf é o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas.
Tanto o aprimoramento cognitivo como o amadurecimento emocional e a capacidade volitiva recebem igual atenção no dia a dia da escola. Nessa concepção predomina o exercício e desenvolvimento de habilidades e não de mero acúmulo de informações, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais necessárias ao ser humano.
O currículo, que se orienta pela lei básica da biografia humana, os setênios – ciclos de sete anos- (0-7/ 7-14/ 14-21) oferece ricas vivências, alternando as matérias do conhecimento com aquelas que se direcionam ao sentir e agir. Não há repetência, justamente para que as etapas de aprendizagem possam estar em sintonia com o ritmo biológico próprio de cada idade.
No primeiro ciclo (0-7), a ênfase é no desenvolvimento psicomotor, essa fase é dedicada principalmente às atividades lúdicas, ela não inclui o processo de alfabetização. O segundo ciclo (7-14), que corresponde ao ensino fundamental, compreende a alfabetização e a educação dos sentimentos, para que os alunos adquiram maturidade emocional. Nesta fase, não existe professores específicos para cada disciplina, mas sim um tutor responsável por todas as matérias, que acompanha a mesma turma durante os sete anos. O tutor é uma referência de comportamento e disciplina para que o aluno possa se espelhar.
Já no terceiro ciclo, equivalente ao ensino médio (14-21), o estudante está pronto para exercitar o pensamento e fazer uma análise crítica do mundo. As disciplinas são dividas por épocas, em vez de ter aulas de diversas disciplinas ao longo do dia ou da semana, o estudante passa quatro semanas vendo uma única matéria. Nessa fase entram os professores especialistas, mas as classes continuam com um tutor.
A avaliação dos alunos é baseada nas atividades diárias, que resultam em boletins descritivos. O progresso dos alunos é exposto detalhadamente em boletins manuscritos, nos quais são mencionadas as habilidades sociais e virtudes como perseverança, interesse, automotivação e força de vontade. Como conseqüência, o jovem aluno tem grandes chances de se tornar um adulto saudável e equilibrado capaz de agir com segurança no mundo.

Construtivismo

Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896- 1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas.
Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos.
O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.
Noções como proporção, quantidade, causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer.
O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.
As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.
Existem várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do individuo no decorrer de sua vida.


Fonte

sábado, 3 de setembro de 2016

O que é pedagogia diferenciada ?

Philippe Perrenoud

Referência na Educação, suíço defende que gestores e professores mobilizem sua dedicação aos alunos com maior dificuldade


                                                                                                                 

O que é a pedagogia diferenciada?

É uma característica que deveria permear qualquer metodologia de ensino. Consiste em reconhecer que toda turma tem alunos diferentes e que é preciso orientar a ação pedagógica levando isso em conta. Diferenciar é ensinar de modo que cada aluno esteja sempre diante de situações didáticas propícias para aprender. Isso exclui aquelas que não trazem desafio e as que propõem uma missão fora do alcance. O interessante é que a diferenciação é um conceito presente em muitas áreas. Costumo dar o exemplo da medicina. Um médico não pode dar o mesmo medicamento a todos os doentes. É preciso fazer diagnósticos individuais e adaptar o tratamento a cada um. 

Como realizar a diferenciação do ensino em escolas grandes?

A pedagogia diferenciada é uma escolha por um sistema de Educação. Requer uma mudança na formação dos professores, na gestão das escolas e no trabalho na sala de aula. Operacionalizar tudo isso em escolas com centenas de alunos é complicado. Muitas vezes, elas são organizadas como quartéis, com normas rígidas de horário, circulação e mobiliário. Contudo, esse quadro não é um obstáculo. Uma instituição grande pode ser estruturada em subconjuntos. Em diferentes atividades e disciplinas, os estudantes são divididos em grupos, que terão desafios distintos em termos de complexidade, com natureza compatível com o nível e as necessidades de cada um. 

Que critérios utilizar na formação dos grupos para que todos aprendam?

Antes de tudo, não estamos falando em separação por nível - melhores com melhores, piores com piores. As pesquisas mostram que, quando se colocam alunos semelhantes juntos, os piores têm menos ambição para avançar. Os grupos também não devem ser estáveis. É preferível que eles sejam focados em dificuldades particulares imediatas e possam ser recompostos quando os objetivos de aprendizagem forem atingidos. Isso exige a atenção do professor ou do gestor para avaliar quantos alunos estão efetivamente aprendendo, quantos saíram do processo, quantos se entediaram. 

Há exemplos concretos de sucesso da pedagogia diferenciada?

Há alguns. Há um caso emblemático em Luxemburgo. Lá, a diferenciação ocorre numa instituição de Ensino Médio, etapa em que muitos acham impossível fazer esse trabalho. Nessa escola, são ensinadas as mesmas disciplinas, nos mesmos horários, em três turmas da mesma série. Os professores entram em acordo em relação aos objetivos e cada um trabalha sua turma durante quatro semanas. Depois desse período, eles fazem um balanço do que cada estudante aprendeu. Na quinta e na sexta semana, eles redistribuem os alunos das três turmas em grupos de desenvolvimento e de recuperação. Depois, eles voltam para outro ciclo de quatro semanas em turmas tradicionais, seguindo por mais uma ou duas semanas de nivelamento. Não é um esquema perfeito, mas ataca o problema da desigualdade de aprendizagem pela raiz. 

Em termos de organização do espaço, como deve ser uma escola que dê atenção a quem mais precisa? 

Uma escola construída para uma pedagogia diferenciada não é um retângulo. Exige flexibilidade, com locais grandes, para reunir todos os alunos, e outros menores, para os trabalhos em grupo. É preciso pensar em modelos para a sala de aula com mesas para equipes ou com a possibilidade de juntar carteiras. No Brasil, conheci uma escola que tinha mesas hexagonais, em que os alunos ficam sempre reunidos de seis em seis. Quem não tem uma arquitetura conveniente vai precisar um pouco mais de energia e inventividade para a diferenciação, sempre respeitando os princípios do agrupamento e a posterior reunificação. 
Para a diferenciação dar certo, os estudantes precisam ficar mais tempo na escola? 

Se todo o resto já foi modificado - as ferramentas didáticas, a avaliação, o atendimento -, não é necessário aumentar o número de horas na sala de aula. Segurar os alunos com dificuldade além do período letivo costuma ser mal vivenciado por eles e quase nunca repõe as defasagens. O primordial é rever o tempo que o professor vai dedicar a cada aluno. Diferenciar pressupõe que o docente dê mais de seus recursos e habilidades aos que precisam mais e deixar aqueles que se viram bem trabalhar com os colegas. 

Muitos professores sofrem com esse dilema. Pensam que é injusto não dedicar o mesmo tempo a todos?

Ensinar um aluno que vai bem a ler, que tem vontade de aprender e valoriza a leitura está ao alcance de qualquer professor. Há carência de profissionais qualificados para trabalhar com os alunos que vêm de um entorno em que não se lê nem se encoraja a leitura. É para isso que precisamos de bons docentes. 

Os professores estão preparados para trabalhar com a diferenciação?

Não. Nem na Europa. Não conheço nenhum país em que a formação inicial contemple esse domínio a ponto de ser bem praticado. É preciso recorrer à formação em serviço dentro da escola para resolver algumas lacunas. 

Quais os primeiros passos da formação em serviço para dar mais a quem mais precisa?

O diretor ou o coordenador podem fazer um balanço das competências e ver os pontos fortes e fracos da equipe. Em seguida, é necessário começar um processo de orientação de cada docente. Essa não é apenas uma tarefa que consiste em indicar um ou outro curso e pronto. É um trabalho que deve tratar do sofrimento do professor, de eventual vontade de abandonar a carreira, dos alunos de que o professor não gosta e dos pais que ele detesta. Nem nos lugares em que há tédio, desespero e cansaço mental por parte de alguns docentes os formadores trabalham nessa dimensão psicossociológica. 

Não há o risco de que esse trabalho se esgote nas queixas, sem avançar em mudanças efetivas?

É possível. Entretanto, segundo minha experiência, as pessoas concordam em experimentar outras maneiras de trabalhar quando há espaço para a queixa sem haver ridicularização da situação. Os formadores precisam ouvir os professores, estabelecendo um espaço de diálogo e de confiança, em que o sentido das tarefas seja discutido. Levar a equipe a se questionar sobre o fracasso escolar é prioridade. Quando se consegue fazer isso, a gente coloca as pessoas em movimento.

Fonte